sábado, 26 de novembro de 2011

A palestra

Fomos à palestra hoje cedo. Não estávamos esperando grande coisa e na verdade fomos meio preocupados com o que iríamos ouvir (a mídia bate bate bate na tecla de que a fila não anda por que os pretendentes são exigentes demais, preconceituosos, etc.) e prometemos ficar quietinhos para não criar polêmica e nos tirarem da fila, hehehe.
As organizadoras perguntaram o nome de cada um, o caso etc e demorou pacas pois eram umas 60 ou 80 pessoas lá e ficamos chocados de descobrir que só nós, um outro casal e uma moça solteira não tem filhos. Todos os outros já tem filhos biológicos ou adotivos e estão lá ou para terem outros filhos ou só para acertarem sua papelada. Alguns já são avós, tem 3 ou quatro filhos criados e querem agora mais um ou dois. Alguns já tem 5 filhos e estão aguardando mais um.

Percebemos que quem está a menos de 4 anos na fila, em geral adotou maiores de 4 anos. Tem um homem que está na fila há 5 anos e foi o único que falou a verdade lá - que tem crianças demais esperando famílias de um lado, famílias demais esperando uma criança do outro e a Justiça fica fazendo palestra, preenchendo papelada, analisando, estudando, que é tudo muito bonito, mas que nenhum dos dois lados nunca se resolvem. Ele foi aplaudido.

Depois, eles pediram para preenchermos uma ficha com aquelas perguntas: por que vc quer adotar? Quando decidiu? Quais os medos? Até aí, ok, mas aí chamaram todas as pessoas para falar lá na frente.

Depois passaram uns trechinhos de filmes, tipo Stuart Little (falei para meu marido que até para adotar ratinhos agora tem fila... Hehehe) e uns outros, o único que eu gostei e que valeu a palestra toda foi um filme chamado Casa de Bebês. Deve ser latino ou independente, hollywoodiano não é. Uma mulher vai buscar sua filha adotiva e conta para a camareira (em inglês) como seria sua vida com uma filha. E a camareira ouve e depois conta para ela (em espanhol) que teve que doar uma filha e sonha com a mulher que a adotou. Tive que me segurar para não chorar. Cheguei em casa e baixei o filme, vou ver.

Elas falaram que tinham um conteúdo para passar mas perceberam que queríamos mais falar e que por isso deixaram a gente falar.

Depois eu vi o conteúdo no certificado e sinceramente, eu preferia que fosse dado o conteúdo, pois elas falariam quais as criancas estavam disponíveis para adoção, o que fazer quando a criança adotiva chegar na sua casa, como agir, o luto da infertilidade, a gestação simbólica da adoção, etc. E tudo isso são dúvidas que temos, explicações que esperamos e muitas vezes uma dica ou idéia te ajuda em algo.

Não sei. Voltei para casa da mesma forma que estava quando fui para lá.

7 comentários:

tobege disse...

Dalila, nossa... realmente a parte mais importante de tudo o que vocÊ queria e precisava ouvir não foi mostrado!! Que vontade que você tivesse participado do curso que eu participei no mês passado aqui em Curitiba!!! Apesar do natural brainwashing sobre a adoção tardia, abordaram muito e com profundidade a questão da adaptação, o que pode acontecer, como devemos nos preparar para receber a criança que vai chegar. Além disso se falou bastante sobre a gestação da adoção, que devemos escrever sobre isso, preparar a história do nosso filho para que ele leia a medida que for crescendo. Sweetie, só posso dizer que, se você tiver disposição, procure sobre isso na internet, leia os relatos de quem já passou por essas fases, converse muito com a Ane, ela tem experiências incríveis para dividir já que atua diretamente com crianças abrigadas. E conte comigo também! Vamos tentar criar uma rede de informação entre nós. Confesso que o meu primeiro contato com a ONG Recriar também não foi muito encorajador, pois eles parecem entrar no automático e não preparar quem está chegando agora. Quando eu fui numa das reuniões eu achava que ia receber dicas e que ia ter a minhas dúvidas esclarecidas, mas o trabalho deles não é esse. Pra que esses encontros sejam produtivos pra vc, é preciso que vc já tenha algum contato com o mundo da adoção e algum esclarecimento. Bjão e bom fim de semana.

Ane disse...

Eu fico P da vida com isso. Uma das coisas que comentamos nos grupos de apoio à adoção é que faltam profissionais preparados e vocacionados para atuar com o tema. É óbvio que a função deles é colocar a situação da adoção no Brasil (que é péssima), mas também é preparar, esclarecer dúvidas! Vou te dar um exemplo, eu pretendo fazer adoção inter racial, tô pesquisando e construindo artigos sobre esse assunto por mim mesmo, porque não vejo em LUGAR ALGUM se falar sobre como se dá a construção dessa família, que o tempo todo passará por situações de diferenciação, questionamentos do tipo "é seu filho mesmo?". Como se lida com a escola, com a sociedade, como se fortalece a auto estima da criança, como mostramos para criança que a vinculação é afetiva e não só por consanguinidade? Nada disso é falado, e eu fico fula da vida! Além disso, tem os grupos como o Quinta da Casa de Ana no RJ, o MONACI em Curitiba, que estão batendo de frente com o Poder Judiciário para mudar a demora na resolução da situação das crianças, e tentando construir uma ponte entre adotantes e crianças disponíveis para a adoção. Perceba, algo que era para ser feito pela Justiça, é feito pela sociedade civil... eu tenho vontade de fazer algo do tipo em São Paulo, tô com um projetinho pessoal em mente, vamos ver se vou conseguir escrever e encontrar as pessoas que topem iniciar aqui em SP. Tenho me angustiado com a situação nos abrigos, e não consigo me conformar, sabendo como está a fila do outro lado. Tô tentando... depois te mando um email explicando pq não quero me comprometer...rs
Beijos

Dalila disse...

Oi meninas, esse foi o curso preparatório do ministério publico que somos intimados a participar e se não participarmos,nao podemos mais adotar.... Ou seja, teoricamente era para preparar ss pessoas para serem pais. Quando saímos de lá, tive a sensação de que todo mundo saiu cabisbaixo, como quando a gente assiste um filme ruim, sabem?
Meu amigo ajudou muito mais, durante o intervalo ele ficou falando como os filhos deles se comportaram nos 2 anos com eles: foram mal-criados, colocavam um contra o outro (os pais), quebraram coisas, inventaram intrigas, falaram coisas muito doloridas para os dois. Agora, de alguns meses para cá eles sossegaram. Acho que perceberam: ', esses não vão nos abandonar tambem. Ahh, eu gosto deles e eles gostam de mim.'
Eles falaram que valeu muuuuito a pena, mas que não foi nada facil e que eles tiveram que ter muita forca de vontade e certeza para passar.
Mas do curso mesmo, nada de útil. Que pena,
Vou fazer isso que vocês falaram.
Bjs e obrigada!

Futura mamãe disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Futura mamãe disse...

Oi, estou na mesma luta... Boa sorte p vc!
Estou te seguindo..
Bjs!
http://www.tentandosermaefiv.blogspot.com/

Claudia Martins disse...

Dalila, primeiro que acho uma invasão de privacidade, cansa, falam sempre as mesmas coisas, dá vontade de dizer:
- Já sei, já sei, e vou adotar de qualquer jeito, e infelizmente, só vou saber como é, depois que for mãe, ou uma mulher quando engravida pela primeira vez, sabe como vai ser?
Sei lá, é muito complexo.
Mas amiga, já viu o livro de um pai que adotou?
O link:
http://www.andersonhernandes.com.br/wp-content/uploads/2008/09/pai-adotivo.pdf
Está um pouco desatualizado, devido a nova lei, mas a relação pais & flhos é a mesma.
Temos que ir à luta sozinhas, porque se esperarmos pelo poder público estamos perdidas.
Bjs.

Dalila disse...

Oi Futura mamãe,estou te seguindo!
Cláudia, vou ler, obrigada pela dica!
Bjs