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segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Adoção - Decisão do juiz

Tenho boas notícias: a Justiça nos considerou aptos a termos um filho! (parece que só a mãe natureza não concorda com isso hehe).

Agora entramos legalmente na fila de adoção. Não tenho muita experiência ou informações sobre o andamento desta tal fila, mas vou ao fórum essa semana para ver a nossa colocação.

Optamos por uma criança até 2 anos, mas nesta característica, a fila pode demorar em média 3 anos. Estou bastante propensa a abrir mão do bebê (afinal, já não abri mão da barriga, resultado de exame, etc.?) e optar por uma criança um pouco mais velha. Preciso pesquisar mais para ver como seria essa experiência...

Fico me imaginando velha (já já chega a idade, a aposentadoria, a velhice) e então vamos olhar para trás e pensar: por que foi mesmo que fiz tudo isso - trabalhar tanto, pagar as contas, ter casa, carro, etc.? E vamos olhar para os lados e perguntar: quem está aqui comigo agora? Quem estará aqui daqui a alguns anos? Quem vai se lembrar de nossas histórias, nossos valores? Com quem vamos dividir os próximos passos, além do companheiro que também já envelhece? E então, será que vai fazer alguma diferença a genética? A barriga? O berço? Os primeiros passos? hmmm... e se fizer? E se isso fizer falta até o fim e sempre nos questionarmos se não seria melhor continuarmos tentando? Que droga. Por que andamos sempre às escuras? Faróis para frente e olhando para o retrovisor?

Quanto aos tratamentos, não vejo muita esperança (não para vocês, para mim meninas - os tratamentos funcionam). Não tenho dinheiro esse ano para tentar. Não sei a situação nos próximos anos. Ninguém sabe por quanto tempo tem emprego e condições de arriscar uma grana preta nisso (e eu realmente não vou ter o $ por um bom tempo...). Vocês sabem como funciona o cadastro na fila de tratamento com baixo custo? Funciona? Anda? Algum dia te chamam?

Hmmm. Também preciso pesquisar isso. Mas estou entrando em mais um momento dark, então tenho que fazer de tudo para só pensar em flores...

domingo, 1 de março de 2009

Barriga

Meninas, deixem-me desabafar um pouco sobre uma coisa que está me assaltando vez ou outra (ou vez e outra para ser mais sincera): a falta da barriga.

Não, não estou falando desta barrigona pelancuda e idiota que teima em me dar desgosto na academia... Estou falando do conteúdo, do sentido de se saber mãe, do início da história que se inicia com o exame positivo e então nos próximos meses, embrião/feto/bebê crescem junto com a mãe que se prepara conforme a barriga aumenta. E enquanto ela cresce, o quartinho é montado, as roupinhas são compradas, o nome é escolhido, as pessoas te aconselham, e todos esperam, anseiam, aguardam e se preparam, pois no dia que o parto acontecer, nascem juntos mãe e filho.

E então, essa história de infertilidade te tira isso e te dá em troca um mundo de agulhas, estetoscópios, tratamentos caros, milhões de opiniões diferentes, milhões de dúvidas e uma série de decisões pesadas que vc não tem capacidade ou ombros para suportar (in vitro? gametas doadas? adoção? adoção consensual? inseminação? benza? reza? macumba? ceticismo? promessa? desisir? é um castigo? é um teste? é algo a aprender? é um alerta? o que é isso afinal e o que fazer afinal, alguém tem alguma idéia??)...

E bem, sinto-me vazia muitas vezes. Como se minha barriga estivesse vazia, como se minha alma estivesse vazia. Será uma reflexo da outra?

E bom, os meses passam e as dúvidas assaltam, o vazio aumenta e isso incomoda sempre...

E nesses dias estava pensando que isso é uma das coisas que mais me assustam na adoção: terei eu como me preparar para ser mãe? Saberei o que fazer?

E em outros dias me pergunto: devo mesmo desistir dos tratamentos? E se tentar mais uma vez? Mais duas? Mais oito? Quantas vezes até me convencer de que nunca vai funcionar? Ou quantas vezes até me tornar mãe? Qual é a resposta certa?

ah... como a vida seria boa se viesse com manual de instruções...
como era mesmo aquela frase? "a vida deveria ter duas fases: uma para ensaiar e outra para atuar" (acho que era mais ou menos assim). Não seria ótimo saber algumas coisas que parecem já estar traçadas em nossa vida de antemão? Mas e se não estiverem traçadas at all??

Bem, chega de chororô (para lembrar um pouco do barbudo-mor)...

Talvez a decisão (?) que parece mais clara (?!) agora seja:
1) tentar outro tratamento em junho
2) aprender mais sobre ser mãe sem barriga
3) aprender mais sobre mais tratamentos para ganhar a barriga (não a de banha, essa já tenho!)
4) e aprender a ser mãe, de coração ou de sangue, para se acontecer, eu estar mais preparada.

Meu Deus, será que isso tudo quer dizer que não estou preparada para ser mãe??? ichiii... mas uma dúvida para atormentar a cabecinha já confusa...

quarta-feira, 25 de junho de 2008

Adoção


Parece que o próximo passo após as FIVs frustradas é a adoção. Como cada um tem um limite, não digo que em alguns anos eu não venha a tentar de novo as FIVs, mas por hora, parece ser esta a única opção.
Mas o fato é que a adoção é algo que eu acho que já tem que nascer com a pessoa. Tenho muito medo de ter a eterna sensação de estar criando os filhos dos outros e estes filhos jamais serem a minha família. E isso absolutamente não é justo com a criança, que merece no mínimo ser amada, principalmente depois de ter sido rejeitada pelos pais naturais.
A outra coisa que surge é: eu conseguiria levar a situação? Quer dizer, o que envolve criar uma criança adotada? Quais os fantasmas que teremos que enfrentar para sempre? O fantasma dos pais verdadeiros e a possibilidade de um dia eles baterem em nossas portas? O fantasma da vontade da criança de conhecer os pais verdadeiros? O fantasma da incapacidade de lidar com o passado da criança? Como deverá ser isso tudo??
Infelizmente não me sinto capaz de lidar com tudo isso. São muitas laranjas no ar para minha pequenina cabecinha... já basta a morte do meu irmão, o processo dos monstros, toda a briga que já enfrentei para pôr estes monstros na cadeia, o contato com a justiça da pior forma, em seu pior lado. Será que eu teria condições de ter mais problemas para carregar? Ou talvez as crianças sejam apenas e somente alegria e esperança e todas estas dúvidas não tenham importância...
Vou visitar um orfanato e descobrir o que acho de lá. Será que vou ter alguma afinidade com as crianças? ou vou voltar chorando como da última vez que visitei uma instituição para crianças com problemas?
De qualquer forma, minha vida está bastante esquisita com o foco apenas em dietas para emagrecer e com a sensação estranha de que agora sobram quartos nesta casa com apenas 2 pessoas...