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quarta-feira, 13 de junho de 2012

Adoção

Olá,

Recebo muitas matérias sobre adoção e sempre penso em colocar  textos sobre o assunto aqui, mas acabo nunca colocando, pois elas são em geral estatísticas, tratam o processo de forma tendenciosa ou são acusativas. Muitas informações eu até acho interessantes e importantes, mas em geral me deixam com um gosto amargo na boca.

E então hoje recebi o texto abaixo.

Um texto leve, bonito e interessante, que toca nuances profundas com delicadeza e sinceridade. Gostei muito e gostaria de compartilhar com vocês.

Espero que vocês gostem.



Atitude adotiva
A naturalidade da adoção
Publicado em 11.06.2012, às 08h05

Por Guilherme Lima Moura
É natural que os casais, a certa altura da vida comum, busquem na gravidez a realização do tornarem-se pais. Com “natural”, quero dizer o comum, o frequente, o socialmente esperado. Tudo à nossa volta conspira para que seja assim. Afinal, todas as nossas convenções culturais nos definem como pais que se constituem enquanto tais pela procriação. Crescemos e vivemos sob a crença tacitamente partilhada de que a gravidez é o processo pelo qual alguém se torna pai ou mãe.

A naturalidade da filiação é assim (socialmente) definida em termos biológicos.

Entretanto, como é sabido, algumas pessoas possuem configurações biológicas que terminam por tornar a gestação uma impossibilidade. A fecundação não chega a ocorrer ou, ainda mais doloroso, a vida intrauterina é abruptamente interrompida. Para muitos, é nesse contexto que surge a opção de se buscar na adoção a realização da filiação tão almejada. E é aí que alguns se deparam com um tipo de mal estar. Paira sobre eles a sensação de que recorrem a uma espécie de “plano b”. Angustiam-se na culpa por buscarem na adoção uma alternativa de “segunda classe”, só cogitada a partir da falência dos planos iniciais em torno da gestação.
Falo aqui especialmente a estes que vivem essa condição de “limbo paterno/materno”: sofrem o luto por uma expectativa de filho que não chegou a se realizar e, ao mesmo tempo, consideram que este filho talvez possa já existir e estar a um passo de, através da adoção, chegar-lhes aos braços cheios de amor.
Nesse contexto de emoções ambíguas, que oscilam entre a dor e a esperança, o tempo e o diálogo franco são os grandes companheiros. Etapas não devem ser queimadas. O luto cumpre o importantíssimo papel de não transformar esperança em precipitada fuga da realidade. Isso porque é fundamental entendermos que o filho adotivo não deve surgir em substituição ao filho biológico. Todo aquele que (em qualquer contexto) é desejado para ocupar um lugar que é de outro, corre o risco de nunca ter seu próprio lugar, de nunca poder ser quem é, de nunca atender às expectativas que lhes são cruelmente impostas. Então, esse “outro” precisa morrer também na nossa emoção, para que aquele que agora passamos a desejar tenha direito ao seu próprio lugar afetivo nas nossas vidas.

Em que consistirá, então, realmente a naturalidade da filiação?

A esta altura os leitores desta coluna já estão cientes de que o significado da adoção, que aqui anunciamos, é maior do que tão somente a especificidade de determinado tipo legal de constituição familiar. Como temos dito, a adoção é a via de construção da filiação. É um processo relacional e afetivo que ocorre historicamente através do cotidiano. Como processo relacional, ele é uma via de mão dupla, ou seja, pais adotam filhos e filhos adotam pais. É preciso que tal circularidade ocorra para que a relação afetiva se estabeleça. E isso acontece na convivência de modo especial e único para cada família.

Entretanto, essa construção afetiva inicia-se antes mesmo de dar-se o primeiro encontro. Antes ainda de pais e filhos se conhecerem. Ela nasce na expectativa, no crescente desejo que alimenta previamente a predisposição amorosa dos futuros pais. Surge mesmo da necessidade que estes elaboram de terem, junto a si, aqueles a quem devotarão o melhor dos seus amores e cuidados. Surge da necessidade de termos filhos.

É importante entendermos que nem sempre a preferência prévia pela filiação adotiva implica em um olhar natural para a adoção como experiência de filiação. Às vezes, ela surge de um mal entendido, no qual este “sempre quis adotar” é fruto de uma intenção aparentemente caridosa de “salvar crianças”. Eis um grande equívoco! Se quisermos contribuir com o bem estar de menores em situação de risco, podemos nos engajar em inúmeras ações valorosas que existem à nossa volta. É uma bela iniciativa. Mas a paternidade e a maternidade não devem constituir-se numa experiência baseada em troca, do tipo “hoje eu salvo você, amanhã você me salva”. O amor de pai e mãe é um amor que nutre tão somente a expectativa de que os filhos sejam felizes.

Portanto, a construção da filiação adotiva como uma alternativa à gestação não faz da adoção uma escolha menor. Na realidade, respeitado o tempo do luto, tal decisão revela o entendimento maduro de que a naturalidade da filiação ocorre no afeto, ou seja, na adoção! Quem se torna pai ou mãe pela adoção deseja simplesmente ser pai ou mãe, e entende que a adoção é um meio legítimo de realizar este seu desejo.

Meus filhos são meus filhos façam o que façam, sejam o que sejam. E assim o são somente porque eles e eu assim o desejamos e assim o fizemos ser. Isso é adoção. Natural assim!
*As colunas assinadas não refletem, necessariamente, a opinião do NE10



quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Adoção e FIV

Meninas, não gosto muito de falar de adoção pois sempre falo coisas desanimadoras...
Aí eu fico me sentindo mal porque tem um monte de gente na fila (gente que eu adoro) e eu fico desanimando todo mundo... E também me sinto mal por que tem um monte de crianças na fila e eu fico desanimando todo mundo... Então, vamos explicar e dar algumas dicas que eu peguei no curso e com algumas pessoas por aí:
*Quando se cadastrar, entre no Cadastro Nacional e coloque também os Estados do norte e nordeste. Duas pessoas da fila foram chamadas no nordeste e uma vizinha de uma amiga foi chamada no Piauí. Na verdade mais alguns, mas acho que foram antes da lei, então, que aconteceram depois da lei que eu soube através do meu pequeno ciclo de conhecidos, foram esses. São dados pequenos, de uma amostra pequena, eu sei, mas no nordeste há realmente muitas famílias muito pobres e a adoção acaba sendo mais ágil por não ter muitos abrigos e a justiça não ter onde deixá-las. Eu não coloquei esses estados na ficha por que não sabia disso.

*As filas andam mais rapidamente em algumas cidades que possuem mais recursos (mais assistentes sociais, mais psicólogos, etc.) e a postura do juiz muitas vezes é de agilizar a destituição e entregar a criança para uma família que pode criá-lá de forma mais estruturada, então a fila anda rapidinho... Alguns juízes são mais conservadores e isso faz com que demore mais.

Naquele dia escrevi sobre a palestra e depois apaguei mais da metade, pois não queria de verdade influenciar negativamente as pessoas... Mas acho que acabei de novo fazendo isso.

Todos que eu conheço que adotaram dizem que são hoje muito felizes e que deveriam ter feito isso há muito tempo! Não existe mesmo diferença entre um filho adotivo e um biológico. As alegrias, preocupações, realizações, etc. são as mesmas...

Como eu já tenho um problema com a forma como a justiça funciona (ou não funciona) no Brasil, eu acabo sempre vendo as ações da justiça de forma desconfiada e isso, lógico que influencia minha forma de ver a situação. Então, não se baseiem em mim,por favor.

Vou torcer muito para as pessoas que conheço que estão na fila estarem logo com seus filhos, pois na adocão vc tem a certeza de que seus filhos existem e estão por aí, e que existe entre vocês e eles apenas a distância física e o tempo... Logo eles estarão com seus pais verdadeiros (e não os que os pariram), basta apenas que encontrem o caminho para suas famílias, que os aguardam e que os receberão com amor, expectativa e esperança.

Nós não vamos desistir da adoção, mas decidimos investir pesado para tentar resolver essa história de filhos o quanto antes...


Gente, depois de 7 anos esperando nosso filho, estamos realmente chegando no limite. E essa idéia da FIV garantida parece ser a nossa aposta final.

E posso falar uma coisa? Estou tão animada, tão entusiasmada com isso que até meu dia a dia parece que está melhor. Parece que saiu um peso dos ombros, o peso da incerteza, do tempo correndo sobre meus pés e eu parada no lugar, o peso de estar batendo e batendo numa tecla que não funciona... Sei que é bobagem, afinal nada aconteceu ainda, mas parece que o FIM dessa vez vai ser diferente. Não vai ser um monte de dinheiro investido, injeções, esperança, nervosismo, angustia, exames, exames exames e no fim, negativo. E de novo pensar: e agora, tento de novo? Guardo dinheiro? Vendo carro? Desisto? E agora?
Sabe por que tira um peso dos ombros? Por que é o peso do "é agora ou nunca", "tem que ser dessa vez", "precisa dar certo pois investi os tubos nesse negócio e a chance é única". Pois agora se não der certo, tentamos de novo, se não der de novo, tentamos de novo e aí, sabem, um dia vai realmente dar POSITIVO. Parece mentira que isso pode mesmo ser possível, sabem? Depois de tanto tempo e tantos e tantos e tantos negativos (gente, acho que dava para comprar um carro com todos os testes de farmácia que a gente compra não?), pensar que um dia eu vou ver de verdade UM POSITIVO, sabem, vai ser incrivel! então, foi uma decisão que veio com uma sensação boa, positiva, de confiança...

Ai, gente estou tão animada!

Meus exames chegaram por e-mail hoje, agora vou aguardar as guias pelo correio e correr para fazer tudo. Vamos fazer o teste de fragmentação do DNA também. Depois eu conto.

Então pessoas, seja da barriga, seja do coração, vamos ter nossos filhos em 2012???

Beijos e ótima semana!

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Adoção - parte dois

Hoje recebi umas indicações que compartilho com vocês, mas gostariam que soubessem que não me certifiquei, não liguei em nenhuma comarca e não sei se é realmente possível ou não, mas para aqueles que estão na fila, segue a dica:

Algumas cidades dos Estados do norte e nordeste do Brasil tem mais agilidade e aceitam o cadastro daqueles que estão já inscritos na fila. Alguns Estados citados como exemplo foram Amapá, Acre, Alagoas, etc. Nesses casos, o certo é procurar pelo telefone das comarcas de cidades pequenas e verificar se podem se inscrever. Isso em alguns lugares é possível pela falta de abrigos e alta mortalidade infantil, então eles tentam agilizar o máximo possível.

Se der certo, me avisem, por favor. Se eu tiver que apagar esse post por que o FBI vai descer de helicóptero na minha casa e me levar para o Uzebesquistão por eu ter falado coisas contra a lei, me falem também, por favor.
Se eu sumir, estou no Uzebesquistão, por favor mande um comboio lá...
Hehehe
Serio, se der certo, me escrevam, please.

***

Pessoas, o tom do ultimo post foi meio desesperançoso e não gostaria que as meninas que estão na fila ficassem desanimadas.

Cada comarca age de uma forma e a agilidade da fila muda de cidade para cidade. Tem uma cidade do interior de SP que visitei e que a fila anda maravilhosamente bem. Pena que não podemos nos cadastrar lá, só os moradores da cidade... Deve ser assim em vários outros lugares...

No mais, aceito receber casos de sucesso e destruir todas as minhas teorias, que farei de bom grado e espirito realizado. O que vcs tiverem de historias que detonem essa minha visão, serão publicadas, com certeza,com sorrisinhos nas laterais e estrelinhas de boa sorte.

Aguardo casos de sucesso, locais, dicas e opiniões contrárias às do meu último post, please. Só não me xinguem muito que fico triste, tá bom?

***

No mais, comecei hoje a reeducação alimentar da nutricionista!
Até agora, estou amando! Depois eu conto para vocês!
Bjs e até

Adoção

Sobre a bebezinha no abrigo:

Nos apegamos muito a ela, fomos visitá-la por mais ou menos 3 meses, vimos ela aprender a sorrir, a reconhecer as pessoas, etc. Começou com algumas visitas, virou uma possibilidade, dai uma espectativa, uma esperança e no fim decidimos meter as caras.

Entre idas, vindas, visitas ao fórum e consulta a alguns advogados (um advogado me falou que desde a nova lei, ele, que era especialista em adoção, não conseguiu absolutamente nenhuma adoção), agora, pela nova lei, a criança precisa ficar com a família e só em casos raríssimos (abusos severos ou sexuais recorrentes) ela é realmente destituída (isso me falaram no fórum).

Então, em geral, os bebês não são mais entregues para adoção.

Essa é a realidade dessa nova lei. Ou você adota crianças acima de 8 anos, que já foram e voltaram da casa da família um milhão de vezes, ou você espera o fórum fazer todo esse trâmite e depois de meses, não ter ninguém mesmo para ficar com a criança e te ligar.

Não adianta ir nos abrigos, a não ser que você queira realmente a adoção tardia. Os pequenos (todos) quer estão lá, estão num limbo administrativo e burocrático esperando a justiça se lembrar deles. Se você souber de algum abrigo com bebês e que há possibilidade de adoção, me avisem, por favor.

Como os bebês não pararam de nascer e ser doados (ou jogados na lata do lixo, como está ocorrendo cada vez mais - e tenho minha teoria sobre isso), muitos adotam 'à brasileira', em que o marido da pretendente diz que o bebê é dele, e assim pede a guarda. Não julgo absolutamente quem faz isso, mas não tenho coragem de fazer isso.

Bem, não consegui escrever sobre a bebezinha no fim. Ainda é sensível demais para mim. Realmente fiquei gostando muito dela, enxerguei ela como minha filha mesmo, estava planejando colocar o berço no nosso quarto...enfim...isso já foi há vá vários meses e ainda não dá para falar não. Só posso falar que tentei fazer o negócio legalmente e obvio que não virou.
Esse negócio de adoção me irrita demais, pois é um negócio embrulhado em celofane e desenhado em cima de uma realidade suíça, em que a prioridade é a bela entrega para a familia - a mesma família que abandonou, maltratou, que mora na favela, com outros 8 filhos dormindo no chão, sem escola, saúde, com mortalidade infantil alta, cujos filhos estão aos 5 anos estão nos semáforos pedindo esmolas, aos 12 estão perdidos no crack ou, no caso das meninas, parindo o primeiro filho.

Mas na bela letra da lei, alguns conselhos servem para resolver tudo e converter a realidade e as mulheres conseguem criar suas dezenas de filhos e parir mais um por ano. Não podem mais entregar no hospital (o famoso intuito personae - extinto com essa nova lei, mas que permitiu que praticamente todos que conhecemos adotassem seus filhos recém-nascidos e os criassem como filhos mesmo, sem problemas, dramas, etc.), têm que falar com a justiça, o fórum, fazer aconselhamento e procurar um parente para ficar com a criança...(muitas dessas mães não querem ser descobertas, pois ou o pai é casado, ou não é o companheiro dela, ou é adolescente, enfim, então um impasse aparece). Antes, bastava entregar para alguém na maternidade. Desculpem-me aqueles inspirados na lei, mas o negócio funcionava assim e muito bem, obrigada. Temos centenas de exemplos para usar.

Antes era possível efetuar o cadastro em inúmeras cidades, e assim encurtar a espera. Com a nova lei, isso não é mais permitido, com a idéia do cadastro nacional. Na prática, cada um só pode estar na fila de sua cidade. As crianças só vão para o cadastro nacional quando ninguém quis ficar com elas, o que significa que são em geral crianças bem maiores (adolescentes ou pré-adolescentes) ou com problemas de saúde graves, o que demanda preparação especial dos pais.

A onda da vez é dizer que só existem crianças maiores para adotar, e aqueles que não as desejam, não são dignos de estar na fila. De novo, a única coisa que ouço na mídia e leio na net é que os pretendentes são preconceituosos e racistas, e por isso a fila não anda. Ninguem cita o excesso de burocracia, a falta de profissionais nos fóruns, a falta de estrutura na imensa maioria das comarcas das cidades pequenas e o tempo que passa até a destituicao. Nas minhas visitas a abrigos, conheci adolescentes que entraram nos abrigos aos 2 dias de vida e estão lá até agora, com 16 anos. Muitos entram muito pequenos e o abrigo torna-se a única família que eles conhecem.

Gente, não estou fazendo aqui uma propaganda contra a adoção tardia. Acho que quem tem a capacidade de receber crianças maiores, e estão preparados para abraçar tudo que elas passaram e que ainda tem na memória, tem mais é que adotar mesmo. Sou contra a propaganda e a massificação da idéia de que se a pessoa quer adotar, obrigatoriamente tem que adotar uma criança mais velha, pois é só o que tem, e se quiser tem que ser assim. Isso pode gerar muitas frsutrações para os dois (pais e filhos), trazer conflitos para os quais as pessoas não estavam preparadas e pior de tudo: fazer as pessoas adotaram por peso na consciência ou por caridade. Isso é a receita do desastre. Caridade, altruísmo, piedade não duram para sempre e não perduram quando os problemas do dia a dia baterem na porta: brigas com os outros filhos, conflitos pela rejeição, uso de drogas (pode acontecer com qualquer um - biológicos ou adotivos, mas se a base da adoção foi caridade, essa possibilidade vai acabar com as boas intenções), enfim, acho temerário achar que só dizer para as pessoas que a vida é bela, que as crianças são lindas e que é preconceito não adotar os adolescentes para resolver o problema dos abrigos.
O real problema dos abrigos está na falta de estrutura do Estado em querer de verdade resolver o problema do abandono e maus-tratos logo cedo, da obrigação de resolver com muita agilidade o processo de destituição e adoção de bebês (e parar de querer achar assistentes sociais para visitar todas as 16 tias de cada criança, como se tivéssemos dezenas desses profissionais em cada cidade), parar de devolver e devolver a criança para a família até ela crescer, fazer a destituicao realmente e não deixar as crianças crescendo nos abrigos sem definição, etc.

Outra coisa: as expectativas, sonhos e esperanças dos pais tem que ser considerados. Os pais só serão bons pais, pais de verdade, se realmente desejarem aquele filho como se fosse seu, sem diferença de um filho biológico. Não gosto da máxima de que só as criancas merecem famílias e que as famílias têm que existir só para lhes prover um lar. Somente pais capazes de sonhar com seus filhos, de recebê-los como em seus sonhos, serão bons pais. E então essa criança terá uma família. Isso implica em deixar os pretendentes sonharem com bebês, se for o caso, sem força-los a mudar completamente de opinião e adotar dois adolescentes. O mesmo vale para aqueles que colocam na ficha crianças maiores, e que recebem bebês. Muitos já passaram pela experiência da parentalidade e não tem o sonho de viver os primeiros meses ou anos. Mas, sabem, já ouvi falar de vários casais que colocaram na ficha crianças de 5, 6 anos e recebem bebês. E aqueles que estão na fila por bebês não os recebem...

Enfim. Adoção no Brasil é uma caixa-preta. Você não sabe sua posição na fila, não pode saber quais as criancas estão à disposição para adoção, não pode visitar abrigos, não tem a menor idéia do andamento da fila, nem das possibilidades legais de sua condição de pretendente.

Foi depois de conhecer tudo isso que resolvi voltar a fazer FIV, um projeto que já estava adormecido e quase esquecido. É o meu foco e minha esperança agora.

Já li sobre pessoas que adotaram e que não se conformam com o sofrimento que as pessoas se sujeitam em fazer FIV, sendo que tem tantas crianças abandonadas por aí. Foi isso que me fez entrar na fila. Mas tive o azar-mor de entrar na fila no exato mês em que a nova lei começou. Hoje, dois anos depois, sei que mesmo com as possibilidades de uma loteria, é infinitamente mais provável meu filho vir através de uma FIV do que através de uma ligação do fórum...

NOVA FIV: Em Janeiro estamos lá!

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

Notícias

Estava hoje procurando notícias sobre FIV hoje e vi duas delas, que compartilho aqui com vocês.
A primeira é preocupante, sobre um estudo que demonstrou que FIV após os 35 anos pode gerar filhos com síndrome de Down, não por causa da idade da paciente (como era sabido), mas por interferência da medicação para o tratamento.
Achei que o grupo de pesquisa foi pequeno, mas de qualquer forma é bom sabermos tudo que pudermos...
http://g1.globo.com/ciencia-e-saude/noticia/2011/07/estudo-liga-fertilizacao-in-vitro-apos-35-anos-a-risco-maior-de-sindrome-de-down.html

Outra notícia:
Uma nova forma de reprodução assistida se chama INVO. Olhei em alguns sites e o processo parece ser muito parecido com o da FIV, porém com menos remédios. A única diferença no procedimento clínico (e que dizem deixar o tratamento mais barato) é que os embriões não ficam no laboratório nas placas de petri, mas são introduzidos em uma cápsula que é colocada na vagina da mulher e depois de três dias são retirados e transferidos para o útero. Não sei onde tem isso no Brasil, nem em quanto ficaria mais barato o processo, uma vez que a aspiração, transferência e exames são os mesmos...
Aqui no brasil só vi o caso abaixo e procurei explicações sobre o processo nos sites lá fora:
http://g1.globo.com/rio-de-janeiro/noticia/2011/08/nasce-no-rj-o-1-bebe-brasileiro-com-ajuda-de-tecnica-de-fertilizacao-inedita.html

No mais, passei a semana balançada com o assunto adoção. Isso foi depois de eu ler um texto que peguei o link no blog da Lene, que mexeu muito comigo. E o que mais mexeu foi o texto que a Ane (girl, que legal, não sabia que era vc!) escreveu. É muito tocante a reação das crianças no shopping, a necessidade de aprovação e o medo, (tão franco, tão forte), do abandono. Bom, esse texto me virou de cabeça para baixo nesta semana...
Segue o link:
http://www.projetoacalantonatal.com.br/multimidia/noticias/193
Beijos e boa semana!

(by the way: a dieta acabou na segunda-feira mesmo! Hehe)

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

News? No news...

Estamos oficialmente na fila para a adoção. Nosso número? 151. Aí a mulher deu uma longa explicação de que na verdade tem umas firulas de que umas 70 pessoas estão com crianças em fase de adaptação, e que esse número não é fechado, etc. No fim, ela falou que estamos no número 70 e poucos, o que achei deveras weird. Em seis meses devo voltar lá para ver se esse número se mexeu.
hmmmm.
Perguntei:
-Se eu souber de uma criança e a mãe quiser fazer adoção consensual para mim, eu posso adotá-la? (quase causei um enfarte na mulher com essa minha pergunta)
-Se vc trouxer uma criança aqui, daremos a criança para o primeiro da fila!!! Nada de furar fila! Não pode! non ecxisteee! (hehe)
**o que, diga-se de passagem é no mínimo justo, mas como no Brasil "justo" e "Justiça" são palavras antagônicas, ganha quem tem bom advogado e a tar da fila continua sendo furada anyway. Só os marmitão como eu que não conseguem bósforas nenhumas...
-Se eu for num orfanato e achar uma criança, posso adotá-la?
-Senhora, não há ninguém em nenhum orfanato com as características que vc pediu. Se vc não queria com essas características, deveria tê-las colocado de forma diferente... (dããã) A senhora deveria aguardar mais um pouco, e se resolver mudar as características, poderá alterar a ficha.

Sei que saí do Fórum tão ou mais desanimada do que quando entrei. Nada anda nesse país. Aliás, nada anda na minha vida. Deve ser por que sou uma pessoa das trevas. Ou porque tenho escamas nas costas? Mas falando sério. Sei que a vida de todo mundo é complicada, tudo demanda esforço, mas sabe, eu até que tenho algumas coisas, consegui outras, mas mêu, será que não dava para de vez em quando alguma coisa ser um pouco mais fácil não? Até para ter filhos, que todo mundo tem, eu tenho que passar por uma luta de anos e anos que nem sei se vai dar certo? Ave! Tô como Térésa Bátisxta, cansada de guerra...

Estou aqui quebrando a cabeça para saber o que devo fazer... Devo tentar novo tratamento? Estou consultando nosso caso com uma conhecida clínica de Campinas, eles oferecem outros tratamentos além da FIV. A dúvida é, outros tratamentos ajudariam?

ah, well, sei lá. Sei que todo mundo que eu conheço está ficando grávida, menos eu. E tô com uma certeza latente de que esse negócio de adoção vai dar certo quando já estivermos os dois de cabelos brancos e bengalas em punhos, quando eu não lembrar mais para quê serve aquele treco de lã tão famoso, fechado de um lado e aberto de outro que tem tantos e tão coloridos nas gavetas... e que estranho, sempre em parzinhos... para quê mesmo que servia, heim??

Bom, será que devo começar a procurar nos orfanatos por crianças mais velhas? Será que é uma boa? Será que vai dar certo? {suspiro}

Acho que vou guardar dinheiro para tentar outra FIV. Mas até eu ter o dinheiro já morri de ansiedade... e será que ainda vou me lembrar o que são os misteriosos parzinhos de lã?

bjs e até mais

domingo, 25 de outubro de 2009

Mais um passo no processo de adoção


Quanto tempo! Desculpem, mas estou meio fora do ar (leia-se net) ultimamente...


Mas vamos lá - tenho novidades do processo de adoção:


Fomos chamados para a reunião com psicólogos e assistentes sociais na quinta feira. Esse é o 2º passo no processo antes de haver a deliberação do juiz. O próximo passo é aguardar a visita da assistente social em casa. Aí o processo segue inteiro (com cada parecer) para o juiz deferir ou indeferir nosso pedido para "entrar na fila".


Vou fazer um contador aqui para no futuro veremos quanto tempo o processo demora:


  • Entrada no pedido em 22/06/09.

  • Primeira entrevista em 30/08.

  • Palestra em 22/10.


Na reunião eles esclarecem o que são as opções que escolhemos quando preenchemos a ficha, como por exemplo o que é doença tratável leve (pezinho torto, 6 dedinhos, enfim, coisas que podem ser corrigidas com tratamento ou cirurgia), doença tratável grave (falta de oxigênio no parto, etc.), o que é HIV negativado (a mãe é HIV positiva, então o bebê nasce com os anticorpos da mãe - que dão a falsa impressão de HIV positivo. Mas com o passar do tempo o bebê desenvolve seus próprios anticorpos e neste momento é possível determinar que o bebê na verdade é negativo) e outras coisas que nos farão mudar algumas opções na ficha.


Nosso processo se encaixa onde está a maioria dos processos: a fila é lenta por que todos querem bebê, branco e menina. No nosso processo fomos indiferentes apenas ao último item, mas pedimos bebê até 2 anos, branco (já expliquei aqui por que, mas basicamente o que falei para a psicológa reflete exatamente o que pensamos: queremos ser pais desde o começo e não queremos ter que explicar que o bebê não é nosso filho biológicos todos os dias, para todo mundo. Pelo menos é isso que pensamos agora). E apesar do que as assistentes sociais falaram, não temos preconceito com crianças mais velhas, mas eu gostaria sim de criar um filho desde o começo. Creio que quem já teve filhos pode ter mais facilidade em querer crianças mais velhas, mas quem nunca teve com certeza tem a necessidade de aprender e crescer junto com a criança, acompanhar os primeiros passos, primeiras palavras, primeiro dentinho, afinal, isso tudo não faz parte do processo de nos tornarmos pais?? Então, resumidamente, o negócio vai demorar um bocado...


Creio que a principal informação que nos passaram nesta palestra é que a partir de 1º de novembro será ilegal e proibida a prática de "intuito in persona", que é aquela situação bastante comum em que a mãe doa seu bebê a uma família específica, através de advogados ou conhecidos.

Durante a palestra elas citaram essa situação como um "fura-fila" e que agora a fila andará mais rapidamente. Eu tenho minhas dúvidas. Uma mãe que resolve doar seu filho por não ter condições de criar tenderá a doá-lo se souber que ele seguirá para um lar, para uma família. Acho que é bem mais difícil doar um filho ao "Estado" onde a pessoa não saberá se ela irá para uma instituição, ou ficará aguardando na fila, etc... Tenho dúvidas sérias quanto a esse processo agilizar a fila...

Outra coisa: grupos de irmãos só podem ser adotados juntos, o que faz com que bebês não possam nunca ser adotados por que possuem irmãos adolescentes (que no Brasil não costumam ser adotados). Então deixa-se o grupo na instituição forever...


No final, eles deixaram uma pergunta no ar: "Você sabe o que pode ser herança genética em um indíviduo e o que pode ser contruído através da educação?" E bem, eu não sei. Se alguém souber, me passe por favor. Vou ter que pesquisar...


Beijos, espero que todos estejam bem! vou visitar uns blogs que amo e volto outro dia...



segunda-feira, 7 de setembro de 2009

Adoção - psicóloga


Na segunda aconteceu uma coisa legal, fomos chamados para falar com a psicóloga (no dia 31/07).


Demos entrada no processo de adoção em junho, pedimos menino ou menina, até 2 anos, branco etc. Ela nos questionou sobre esses itens que respondemos que queremos um filho desde o princípio, que já não terei a barriga, então gostaria de ser a pessoa a estar com a criança desde o começo, deixei claro que isso não é caridade, mas sim a contituição da minha família (não quero que ninguém pense que estou fazendo isso por que sou boazinha, etc. acho isso algo muito sério para ser só caridade...), que não ligamos para o sexo mas que escolhemos branco por que queremos que se pareça conosco, e como disse para a psicóloga, não gostaria de ter que explicar para tudo e para todos sobre a adoção o tempo inteiro só porque a criança é diferente de nós - gostaria que esse processo fosse o mais natural possível... Acho que foi tudo bem, pelo menos fomos sinceros e realmente é o que esperamos e desejamos...


Essa foi a primeira entrevista, temos que ir para mais uma da assistente social, depois irá para o juiz dar o parecer se poderemos ou não ingressar no cadastro de adoção e se estamos aptos a adotar uma criança.

Será bem rápido, coisa de mais ou menos uns 4 anos... (desculpe o sarcasmo)


A nova lei de adoção entra em vigor em 11/2009 e partir de então, uma série de novas regras acompanharão o processo para torná-lo ainda mais complicado do que já era - desculpe-me as pessoas que acreditam q esse processo veio para facilitar, mas ele na verdade engessa ainda mais o que já andava de cadeira de rodas - e bom, a partir daí, não será mais permitida a adoção concensual, apenas o cadastro nacional vigorará (como se todas as comarcas do país fossem informatizadas), todos os parentes, avós, tios, sobrinhos, gatos, cachorros e papagaios deverão ser consultados sobre a possibilidade de adoção antes da criança ir para o cadastro (com certeza vai ser bem rápido) e após 2 anos que a criança estiver na intituição eles farão o quê com ela se não houver ninguém na fila?? ou seja, uma lei extremamente inteligente como todas as leis neste país...


Mas fora isso, esse será um passo que damos em busca de nossa família. Mesmo que eu faça tratamento no ano que vem e mesmo que eu engravide, não gostaria de ter só um filho, então esta será provavelmente a forma de termos nossa família, com filhos do coração (como já ouvi tantas vezes). Em paralelo a isso, no início do ano que vem quero tentar fazer os tratamentos de novo. Vamos ver até quando...


Bem, escrevo se tiver mais novidades...


bjs e até mais,

sábado, 25 de julho de 2009

Próximos passos

Esse blog está meio abandonado por que não tenho muita coisa para postar por aqui...

Estou sem tentativas ou tratamentos, a única novidade é que entrei com o processo de adoção.

Entrei antes da nova lei, mas a nova lei já me deu um balde de água fria em uma situação que eu já considerava morna...

Meu maior pesadelo é voltar a depender da justiça brasileira, pois sei que ela não existe. E pior: além de não existir na forma de "justiça", ainda te endemoniza.

Então, entrei com o processo, mas estou tentando não pensar muito que eles aparecerão na minha casa e começarão a me questionar por que eu quero um bebê e não uma criança maior, por que quero branco e não negro ou mulato, etc.

Eu gostaria mesmo de um dia ter um bebê nos braços, gostaria de ter o sonho de lhe dar um nome, de ver os primeiros passos, as primeiras palavras... e também, adoraria não ter que explicar para todo mundo que a criança não nasceu de mim, sempre que encontrar alguém na rua, na escola, ou seja, em qualquer conversa de rua, por isso queria uma criança parecida comigo. Mas sei que isso derruba as chances lá para baixo, assim como esse tal cadastro nacional, que complica ainda mais o que já era complicado (ou as pessoas acreditam que todas as comarcas do país possuem computadores com internet ou rede?).
Mas OK.

Decidi colocar nas mãos de Deus. Se for para o meu filho vir para mim por esse meio, que venha então desta forma. Se não, no ano que vem quero tentar de novo. Vou guardar dinheiro para tentar as FIVs no Paraná e quem sabe umas Inseminações por aqui mesmo? Putz, aí será necessário muito dinheiro... e bom não vou ter tudo isso não...

Mas ok, vamos ver o que vai dar para fazer no ano que vem.

Esse ano, não tem mais nada para tentar: no money at all e a adoção já viu... entrei com o processo há um mês e a única coisa que ganhei até agora foi um número de protocolo...

O certo é enviar para comarcas que ainda aceitam o processo de pessoas de outras cidades, esse é o próximo passo.

Bem, volto a escrever sobre isso...

No mais, estou feliz de acompanhar tantas meninas grávidas e tantas descobertas nos outros blogs!


Ah!! fiz o chá de bebê de uma amiga e preparei para ela um Scrapbook!! Ficou lindo!!
Depois eu posto aqui as fotos!


Bjs e até mais!

quarta-feira, 25 de junho de 2008

Adoção


Parece que o próximo passo após as FIVs frustradas é a adoção. Como cada um tem um limite, não digo que em alguns anos eu não venha a tentar de novo as FIVs, mas por hora, parece ser esta a única opção.
Mas o fato é que a adoção é algo que eu acho que já tem que nascer com a pessoa. Tenho muito medo de ter a eterna sensação de estar criando os filhos dos outros e estes filhos jamais serem a minha família. E isso absolutamente não é justo com a criança, que merece no mínimo ser amada, principalmente depois de ter sido rejeitada pelos pais naturais.
A outra coisa que surge é: eu conseguiria levar a situação? Quer dizer, o que envolve criar uma criança adotada? Quais os fantasmas que teremos que enfrentar para sempre? O fantasma dos pais verdadeiros e a possibilidade de um dia eles baterem em nossas portas? O fantasma da vontade da criança de conhecer os pais verdadeiros? O fantasma da incapacidade de lidar com o passado da criança? Como deverá ser isso tudo??
Infelizmente não me sinto capaz de lidar com tudo isso. São muitas laranjas no ar para minha pequenina cabecinha... já basta a morte do meu irmão, o processo dos monstros, toda a briga que já enfrentei para pôr estes monstros na cadeia, o contato com a justiça da pior forma, em seu pior lado. Será que eu teria condições de ter mais problemas para carregar? Ou talvez as crianças sejam apenas e somente alegria e esperança e todas estas dúvidas não tenham importância...
Vou visitar um orfanato e descobrir o que acho de lá. Será que vou ter alguma afinidade com as crianças? ou vou voltar chorando como da última vez que visitei uma instituição para crianças com problemas?
De qualquer forma, minha vida está bastante esquisita com o foco apenas em dietas para emagrecer e com a sensação estranha de que agora sobram quartos nesta casa com apenas 2 pessoas...