Estou bastante triste hoje. Sei lá, acordei assim.
Essa noite sonhei que uma amiga que já tem filhos veio me visitar e eu mostrei para ela o boneco que ganhei do meu pai (sabem aquelas bonecas feitas à mão que são idênticas a um bebê?) e ela demorou um tempão e percebi que não estava com coragem de me falar alguma coisa. Depois ela falou que estava grávida. Fiquei feliz no sonho, mas lembro que pensei que ela não queria me falar pois o único bebê que eu teria seria aquele boneco e que por isso ela estava com medo de tocar em um assunto que iria me chatear.
Aí hoje fiquei pensando que realmente talvez esse seja mesmo o único bebê que eu vou ter...
E bem, fora isso tem uma pessoa que eu amo da família que está com um problema de saúde grave. E tem outras coisas que doem também.
E mais uma vez, acordei e pensei que a alegria não existe para todas as pessoas. Aliás, acho que estamos aqui nesse mundo para sofrer mesmo, não é esse o ponto, mas acordei amarga de novo. Como se eu pudesse falar para alguém que pessoas jogam seus filhos nas lagoas, deixam-nos nos lixos, abandonam, deixam crescer na rua, deixam passar fome e muitas outras coisas, mas essas pessoas continuam tendo filhos. E que eu acho que não sou muito grande coisa, mas não faria isso nunca na vida, mas que mesmo assim não vou ter a chance. Talvez eu jamais tenha filho nenhum por que não seria uma boa mãe. Pode ser. Ou por que eu não sou religiosa. Ou por que isso irá me ensinar alguma lição. Ou por que não era para eu ser mãe mesmo. Ou por que não rezo muito. Ou por que esperei demais. Ou por que seja apenas aquela que aleatoriamente se encaixa no percentual de animais que jamais procriarão. Sei lá. Sei que hoje estou sentindo a casa vazia, a falta de perspectiva bater, a falta de uma gargalhada de criança, de um abraço, de segurar em mãos pequenininhas e de ter novidades para acompanhar (os primeiros passos, a primeira palavra, o dentinho que nasceu, a escolha da escolinha, a carinha, o sorriso etc.). Acho que seria muito bom aguardar a barriga crescer, esperar para ver com quem se parece, descobrir o sexo, escolher o nome, fazer os ultrassons... Depois tirar as primeiras fotos, colocar roupinhas coloridas e ver o bebê brincar com os primeiros brinquedos, ver como é o gênio (se é quietinho, birrento, chorão, bonzinho).
O fato é que muito provavelmente eu jamais tenha filhos. Tenho que ser realista. Depois de descobrir que não poderia ter pelos métodos naturais e ainda tentar duas ICSIs, fica difícil achar que as coisas ainda podem ter alguma saída...
Hoje estou sentindo falta do filho que nunca veio. E que talvez, jamais virá.