Pessoas,
Estou mega deprê, sem vontade de nada, seguindo a sombra...
Vou explicar meio rápido, mas não queria entrar muito, pois é mesmo um assunto que me incomoda muito, mas que eu não paro de pensar conforme vai chegando o final do ano...
Eu tive um irmão fantástico, uma das pessoas mais maravilhosas que já conheci. Era amigo, confidente, agüentava meus desabafos, era bem-humorado, estava sempre pronto para ajudar, nem que fosse para me acompanhar no shopping comprar presentes para os pais, ou apoiar quando eu tava mega cansada do trabalho ou na correria para arrumar as coisas para o casório. Era o amigo para ir no barzinho, para ir passear na praia...era aquele que sempre estava rindo, sempre de alto astral, trabalhando muito, ralando muito, mas sempre tinha um tempinho para todo mundo, para rir de alguma piada, contar sobre uma banda nova, filme ou uma história em quadrinhos legal. Ele era uma figura, foi um meninão a vida inteira, para vc ter uma idéia, ele era desenhista de histórias em quadrinhos. Sério, era a profissão dele. E ele chegou a trabalhar para a Marvel. O nome dele era Hermes.
Ele era meu irmão mais novo e era aquele que eu sabia que podia contar para tudo, a vida inteira. Era minha história de vida, minha infância, meu amigo. Meu único irmão.
Ele morreu aos 25 anos, pelas mãos de dois lixos-humanos (humanos? Não, só lixos mesmo) que queriam roubar a máquina fotográfica dele. Isso foi em 21 de dezembro, de 2003.
Não preciso contar que nossas vidas acabaram naquele dia e realmente, nunca mais voltaram ao normal.
Então, todo final de ano eu começo a entrar numa espiral, que vai ladeira abaixo até as festas. O ano vira e parece que eu começo a pensar de novo em sair, viver, emagrecer, etc.
Então é nessa espiral que estou agora.
Não quero pensar na morte dele, pois fiquei 5 anos em depressão e sei exatamante a merda que é depressão. Para aquele buraco que eu fiquei nesse tempo, não quero voltar nunca mais na minha vida... Naquele filme que eu assisti, Melancolia, a atriz Kirsten Dunst está depressiva e bem, eu entendi cada vírgula que ela pensou, fez, ou não fez. Parece que o vazio é tão grande que ele vai te paralisando, emparedando, petrificando. Nada tem gosto, cor ou sentido. Na verdade, nada tem nem mesmo importância... É como estar em um túmulo na chuva e não conseguir agarrar a borda, só segurar lama. Mas eu saí de lá. É que todo final de ano parece que eu sento na beiradinha e fico olhando para o túmulo de barro, alagado.
Mesmo quando eu tento não fazer isso, ou não pensar nisso, é uma época que eu queria contar algumas coisas para ele, me aconselhar, perguntar o que eu deveria fazer... Acho que a saudade aperta e tudo isso vai voltando, como se eu antecedesse o dia 21/12 de novo. E sei que ele vai ser horrível.
Então, bom, é uma época que não quero sair, não quero falar com ninguém, não quero comprar presente de Natal, não quero saber dessa droga toda, de festas... Enfim.
Seria bom ter uma boa noticia para variar... Alguma coisa para modificar, trazer algo de bom... Acho que por isso decidi ter filhos.
Foi um ano depois da morte dele. Eu não queria viver para sempre nesse vazio, nessa tristeza. Queria ver algo alegre, ver a capacidade de beleza de novo, a possibilidade da vida, a esperança, me preocupar com alguém, ter a vida de novo em nossas vidas... Mas sabem, o mundo é assim.
E tem dias que eu só queria lembrar de alguma coisa boa dele, de uma frase, de uma risada, de um momento... pois parece que eu esqueci tudo que vivi até aquele dia. E queria ser uma daquelas pessoas que se lembram de alguém que se foi, sem dor, sem lagrimas... Sei que ele merece isso, mas eu não consigo. Não consigo.
Desculpem.
Vou tentar postar algumas outras coisas, que não entrem nesse clima, nos meus sentimentos, algo fora de tudo isso, prometo.
Mas escrevi isso por que o tom está ficando dark e tá difícil pensar em coisas legais para postar. Mas eu vou achar.
Bjs.